Folhas secas - Lizaldo Vieira
Quando a folha murchar
A chuvinha fina cessar
É primavera
Quando a arvore
Trocar de folha
E os brotos ameaçarem
Então é primavera
Quando folha tombar
E no chão se tocarem
Em frenesi
Pra lá e pra cá
É primavera no ar
E se é primavera
De quantas folhas e ritos
Faz-se ela
De quantos dias cinzentos
De quantos mares serenos
De quantas noites frias
De quanto sol desatento
Moderados ventos
Luares sonolentos
Brisas ralas
Neblinas claras
Se completa uma bela primavera
De quantos rebentos
De bichos e flores
De quantas manhas ensolaradas
De quantas noites enluaradas
Carregadas de amores
De quantos odores
De quantos sons
De quantos sabores
E cores reboladas
Precisará um setembro
De folhas ao vento
Abandonadas
Relegadas ao relento
Com seu canto mudo
E entristecido
Com quantas cobras
E lagartos despelados
Pássaros e aves depenados
Nuvens e chuvas em retirada
Para saudar
Uma única festa
Bonita
Opulenta
Orgulhosa
Que modificará vestuário
Faz seu traje a rigor
Renova o perfume de rosas e flores
Modifica sabores
Encomenda novas partituras
Ignora a velha sinfonia
Que cede lugar para outros musicais
Do cancioneiro natural
Não estará então
A natureza eivada de vaidade e capricho
Em atender tanta exigência de uma só estação?
Por que Ignorar a importância da velha mata
Com sua fauna e flora
Ou será que
A nova estação
Cheia de vontades
Metida a desenhista das belas artes
No fundo
No fundo
Realmente se acha?
terça-feira, 18 de maio de 2010
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