terça-feira, 18 de maio de 2010

A incrível fraqueza – Por Lizaldo Vieira
Do ser
Gente
Inteligente
Conseqüente
Prudente
Imprudente
Nada mais belo
Lindo
Só o obscuro das incertezas
Incomoda-nos
Como o breve vento
De um barco devagar
A vagar
Nas ondas das ilusões
Remando em auto mar
Puxado a vela
Singrando águas turvas
Turbulentas
Sem miragem certa
Na linha do horizonte
Na dureza do escuro
O futuro se esconde
Não sabe onde
Conhecer porto seguro
Navegar é preciso
Porque não andar
É não ter rumo,
Não ter prumo
Não ser quimera
Não sonhar
É não ser vida
É não ser bicho solto
Nem vento louco
Pro cavalo á lado
É não ser louco
Nem ter lucidez
Nem ter de tudo um pouco
Nem ser menino sonhador
Com historias de mamas
Que lhes tragam acalanto
No regaço da cama vazia
De amor
Às vezes
No mundo de nossos Guetos
Deixamos de assumimos os medos
Escondemos noutras faces
Os fracassos
Pois o que mais queremos é ser
Apenas nós mesmos
Esse misto poético
De fraqueza
Medos
E segredos

De cara feia - Lizaldo Vieira

De cara feia ?... por- Lizaldo Vieira
Nem tanto
Talvez
Um desencanto
Desanimo
Quem sabe...
De vez
Em quando
Meu dia amanhece
sisudo
Em também me sinto
Assim
Como o céu carregado
De nuvens pesadas
De cara feia
Enfarruscada
E
Quando o sol se levanta por inteiro
Tudo se dissipa
Como num passo de mágica
Some a carranca
O carma sossego
Pronto para a lida
De brilhar no estrelato da vida
Onde sei
Que também somos astros
Feitos com brilho e luz
Parcerias que se confundem
Para traduz
O enigma da energia
Que tanto precisamos
Na mais perfeita realização
O show da vida

Folhas secas - Lizaldo Vieira

Folhas secas - Lizaldo Vieira
Quando a folha murchar
A chuvinha fina cessar
É primavera
Quando a arvore
Trocar de folha
E os brotos ameaçarem
Então é primavera
Quando folha tombar
E no chão se tocarem
Em frenesi
Pra lá e pra cá
É primavera no ar
E se é primavera
De quantas folhas e ritos
Faz-se ela
De quantos dias cinzentos
De quantos mares serenos
De quantas noites frias
De quanto sol desatento
Moderados ventos
Luares sonolentos
Brisas ralas
Neblinas claras
Se completa uma bela primavera
De quantos rebentos
De bichos e flores
De quantas manhas ensolaradas
De quantas noites enluaradas
Carregadas de amores
De quantos odores
De quantos sons
De quantos sabores
E cores reboladas
Precisará um setembro
De folhas ao vento
Abandonadas
Relegadas ao relento
Com seu canto mudo
E entristecido
Com quantas cobras
E lagartos despelados
Pássaros e aves depenados
Nuvens e chuvas em retirada
Para saudar
Uma única festa
Bonita
Opulenta
Orgulhosa
Que modificará vestuário
Faz seu traje a rigor
Renova o perfume de rosas e flores
Modifica sabores
Encomenda novas partituras
Ignora a velha sinfonia
Que cede lugar para outros musicais
Do cancioneiro natural
Não estará então
A natureza eivada de vaidade e capricho
Em atender tanta exigência de uma só estação?
Por que Ignorar a importância da velha mata
Com sua fauna e flora
Ou será que
A nova estação
Cheia de vontades
Metida a desenhista das belas artes
No fundo
No fundo
Realmente se acha?

Não sei por que - Lizaldo Vieira

Não sei por que – Lizaldo Vieira
Gosto tanto
De você
E ate aposto
Que cego estou
De corpo e alma
Imaginando ser correspondido
Por seu bem querer
Quanto engano...
Mas
Por você
Sou perdido
Faço planos
Sacrifico-me
Dou o que pedes
De bom a melhor
Do botão
Ao carro importado
Na cor de sua preferência
Seu pedido é ordem
Um carinho com ternura
Um aconchego caliente
Um abraço forte
E arrochado
A vida inteira é assim
Faço o que posso
E nem posso
Limpo até os sapatos
Por esse amor renegado
Crendo
Pré supondo
Que também fazes assim
Lê do engano
Em seus planos
Nada pra Nico
Só fingimento
Tudo é negado
Como se lixo fosse
Um Zé ninguém
Não Correspondes
Em nada
Ao menor dos acenos
Por um gesto
Mais afável
Pelo contrario
O bote sempre está armado
Nada podes
Nada tens
Nada pro coitado
Triste sina
De um amor rejeitado
Quanta ingratidão
Com o velho coração
Que mesmo magoado
Só ama
Só acolher
Só abre o coração
Só faz o bem

O que fizeram com a vida - Lizaldo Vieira

O que fizeram com a vida – por Lizaldo Vieira
De homens
Mulheres
Meninos
Meninas
Insetos
Da água
Do solo
Do ar
E plantas biodiversas
ANIMAIS
Quem diluiu
Ao pó
Ao nada
Num só boom
Atômico
Sem um até breve
Uma boa noite
Nem mesmo um grito
Ou sorriso silencioso
Não se viu
UM ate mais
Longo estrondo
Doido
Tonto
Zonzo
Longo sono
Interrompeu a marcha da aurora
Puniu a história
De Hiroshima
Nagasak
Por bombas tantas
Bombas tontas
Bombas bestiais
Assassinas
Insanas e tiranas
Miséria atômica
Que mata
Atinge
Velha
E antigas civilizações
Tingiram os céus de holocaustico
E com sombra emmudecedoura
Mudaram o ritual vital
Puniram inocentes
Ignoraram a gente
Da gente
Que vivia a sorrir
Com novo e belo por vir
Mataram mais de 250.000
Inocentes
Pobres
Ricos
Indiferentes
Num boom
Nojento
Num zoom ardiloso
De fumaça quente
No ar
Destrocara sem piedade
O que não serve pra comer
Triste sinistro
Fantástico horror
Chernobyl
Goiânia césio 137
É esse pavor
Que não quero
De novo
Nunca mais recordar