MATAM O JUNCO - LIZALDO VIEIRA
Uma mata que se assa
Se ataca
E devasta
Do império da cana
Ao estagiário de “Nero’
O “queimador”..
Lá no junco é assim....
Uma mata ali se torra
Se estoura
Se devasta
Sem dó e sem pudor
Só por prazer de festa
Só pra sonhar de carnavalescos fora de época..
É que ali tudo é um luxo
E lixo
Nada presta....
Lê do engano.
Falo da mata
Que tem ciência
E cura doenças
Que tem riacho
Com água boa de beber
Que dá frutos aos cachos
Pra se comer...
Até a fonte dá-gua viva
Já ensaiaram de vender...
Mais lá resiste “ guigó “
Resistem bichos e nichos
Da biosfera
Que é RESERVA.de oxigênio ...
Querendo livrar-se das feras
Querendo viver
Não adianta
Não tem previdência
Cadê consciência
Sobra ganância..
Do podre poder da arrogância ..
Pra acabar a fauna
Pra queimar a flora
Pra devorar a vida
Pra tudo corroer....
E tiram lenha,
E tiram madeira
E tiram do riacho a areia
E levam lixo
E levam esgoto por lagartixo
Por ali tudo é lixo
Já não se pode mais viver
Nem mesmo teia de aranha
Que no ar se desenha.
Naquele lugar não há lugar.
Pra que periquitos
Pra que teiús e preás,
Pra que paca e cotias
Tatus e tamanduás
Se até mesmo a Jia
Petisco já vai virar.....
Pra que vida
Pra que água
Pra que beleza
Nessas terras escravas
De“neros “ e “alibabas“...
Aí ! Meu Deus
Quem dera pernas
Quem asas
Nessas matas atlânticas pra andar e voar...
Pois sei bem
Se tivessem pés
E não os tens
Não seriam manes
Sumiria com seus bichos
Rios e igarapés
Pra bem longe daquele lugar...
Onde o “bicho” o inimigo
Contagiando perigo
Jamais pudesse alcançar ...
terça-feira, 17 de junho de 2008
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